A Vida em Boião

10 08 2008

Apresento-vos o meu novo blog, aVidaEmBoião.

A Vida em Boião

Em Boião – ou no boião – cabem todos os rótulos e etiquetas que regem a sociedade em que vivemos. Criei a sociedade Boião, numa tentativa de explicar e apresentar a quem nos vê por fora, como funciona a sociedade – não só a portuguesa, como tantas outras – através da sátira que, independentemente do talento de quem a faz , não deixa de ser um recurso eficaz e pedagógico.

Todos os domingos – espero que sem excepção – o blog vai crescer, tal a riqueza do tema. Há tanto para escrever sobre uma socidade (e ainda mais para satirizar), que não temo que falte assunto, antes que falte interesse dos leitores. Como me descrevo aqui no DigoEu, sou um espectador atento do Mundo e o que vejo, consegue ter tanto de hilariante – ou Hilário – que acredito que o blog tem espaço quase inesgotável para crescer.

Se forem como eu, que não gosto de ler textos grandes no ecrã, imprimam. Se forem como eu que não gosto de gastar papel com coisas sem interesse, imprimam em folhas de rascunho.





pipocas com telemóvel II

10 08 2008

veio a saber-se que este e outro vídeos idênticos são montagem. sorte a nossa…





pipocas com telemóvel

11 07 2008

enquanto se lança o iPhone, muito enfatizado por oferecer novas funcionalidades, aqui temos um funcionalidade peculiar, possível com telemóveis mais baratos: fazer pipocas!





Nos Passos de Magalhães, de Gonçalo Cadilhe

8 06 2008

 

  Quando li na revista Única que Gonçalo Cadilhe preparava uma nova viagem, fiz o mesmo que quando anunciou que ia percorrer África, viagem que resultou no livro África Acima, cuja leitura recomendo veemente: deixei de ler a revista e esperei pelo livro.

Recorrendo à linguagem gestaltista, prefiro o todo à soma das partes.
Cadilhe, por sistema, narra as suas viagens quase em tempo real na revista Única e depois lança o livro, onde compila as crónicas e acrescenta tudo o que não coube no curto espaço que lhe é disponibilizado na revista. O resultado é sempre o mesmo: livros que dá uma gozo tremendo ler, quer pela qualidade da escrita, quer pela viagem em si.
“Nos Passos de Magalhães”, é diferente do que Cadilhe nos tem habituado. Apresenta-nos uma biografia enriquecida pela passagem física de Cadilhe nos locais mais importantes da odisseia de Magalhães. Eu prefiro o registo habitual do autor, com as suas absorventes narrativas das viagens mas este livro, inovador tanto para o autor, como para o próprio campo biográfico, não desilude. Pelo contrário, continua absorvente e mantém-se fiel ao que Cadilhe nos habituou: literatura de enorme qualidade, que se lê sem a noção de o tempo passar e com a singularidade de se ter transformado em Documentário na RTP2, aos sábados às 22.40h.
Magalhães, do modo mais sucinto possível, é um erro histórico de Portugal. O navegador era um “trapalhão diplomático” e atreveu-se em demasia, ante um rei D. Manuel, de visão megalómana mas não por isso menos limitada. Foram vários os episódios diplomáticos que afastaram Fernão de Magalhães da corte portuguesa e que o aproximaram de Espanha. Humilhado, agastado e ferido, Magalhães afasta-se de Portugal e apresenta-se à coroa Espanhola, onde reinava um rei igualmente megalómano mas mais visionário que o nosso: Carlos V. A importância histórica que lhe é reconhecida, inscreve o nome de Espanha nos livros de história e a culpa é exclusivamente de Portugal.
Em traços gerais, Magalhães partia, com a Armada das Molucas, na presunção de que a Terra era, de facto redonda e esperança de que as Ilhas das Especiarias, tão almejadas eram, de facto pertença à parte espanhola que resultou do Tratado de Tordesilhas, assinado entre Portugal e Espanha em 7 de Junho 1494:

“…no regresso da Armada das Molucas, o nome Magalhães foi ignorado, a sua importância menosprezada. Um final não feliz. A circum-navegação não trouxe quase nenhum valor comercial, a expedição deu um lucro marginal à coroa espanhola, a rota descoberta pelo Pacífico para chegar às Ilhas das Especiarias não era viável, ou pelo menos não podia competir com a rota portuguesa pelo Cabo da Boa Esperança, e as próprias Molucas revelava-se afinal na parte portuguesa do Tratado de Tordesilhas, inutilizando a pretensão espanhola de as explorar. O custo em vidas humanas da expedição foi desmesurado.” (p. 176) Mas não por isso, a expedição perdeu relevância, quanto mais não fosse para esclarecer Portugal e Espanha, em relação e dimensão do Universo, que o tratado de Tordesilhas concedeu a cada país.

 

Não querendo pecar por presunção, espero que esta biografia itinerante, metade viagem partilhada, metade História transmitida, possa sensibilizar os leitores para alguns aspectos. (Cadilhe p. 11)

Conseguiste, Gonçalo. Uma vez mais, prendeste-me ao livro e permitiste-me uma viagem mental, aos locais que pisavas. Também eu, posso dizê-lo agora, segui os Passos de Magalhães.

 

“Não acredito em lugares mágicos, nem em pontos de energia telúrica, nem em ondas místicas que se libertam da paisagem. Acredito, isso sim, em estados de alma. Que fazem com que os lugares se tornem mágicos. Ou malditos, depende.”

 

Referência bibliográfica:

 

CADILHE, Gonçalo (2008), Nos Passos de Magalhães, Cruz Quebrada: Oficina do Livro

 

 





O mundo animal no seu melhor

23 05 2008

Já é um clássico no youtube, mas não me canso de ver este vídeo





O Poder da Imaginação: Juventude, Rebeldia e Resistência nos Anos 60, de Rui Bebiano

22 05 2008

Os anos 60 ficam ligados para a posteridade pela irreverência da juventude. “Despontava algo de profundamente diverso. Um universo singular que, a partir dos desenvolvimentos ocorridos nos países mais industrializados e nas suas mais directas periferias, projectava os sinais da juvenilização…” (p. 26).

No pós-guerra, dá-se um fenómeno de babyboom nos EUA. A saúde e o ensino são fortemente abalados com este fenómeno – nasceram mais crianças, entre 1948 e 1953 nos EUA do que nos trinta anos anteriores. É a geração resultante do babyboom que vive a sua juventude no período em análise.

Estes teenagers dão uma forte dinâmica à sociedade, com comportamentos manifestamente diversos das restantes gerações. As cadeias de fast-food começam a crescer, bem como o consumo de álcool e o à-vontade com a sexualidade. O Mundo industrializado recebe, em choque, uma juventude irrequieta e rebelde.

Vive-se um hedonismo, uma inflexão sobre o indivíduo sem precedentes. A juventude segue uma concepção utópica da vida e defende a força pacífica da flor contra a violência da guerra, luta contra as atitudes homofóbicas (p.40). Surgem os movimentos feministas e o blackpower, integrados num espírito de busca da igualdade de direitos.

O universo Hippie e Yippie, funciona como porta-voz de uma juventude ruidosamente inconformada. Demarcam-se da sociedade e das normas vigentes e trocam as suas posses, que consideravam sinais ilusórios de escravidão, pela vida simples, vivida em comunidade e que desprezava tudo o que fosse bem material.

É ao som de Bob Dylan e Joan Baez, dos Beatles ou dos Rolling Stones que embalam o seu quotidiano. A toxicomania, uma aceitação do modelo proposto por Timothy Leary, guru desta subcultura e autor de “The Politics of Ecstasy”, surge como “a busca de uma libertação de constragimentos”, proposta por investigador de psicologia aplicada (p.55). Depois de uma série de festivais, surge, em 1969, o Woodstock, com os seus 450.000 participantes e onde actuarem referências como Jimi Hendrix e Janis Joplin. Estes festivais, “materializaram exemplarmente esta renovada forma de recusa, colectiva e partilhada, de tudo quanto não tivesse a ver com a festa, o prazer e a imaginação de uma vida alternativa e natural” (p.56).

A vertente intelectual é, também ela marcante nesta geração. As universidades, além de instruir, aumentam a politização e dão origem a uma nova linguagem. Não raras vezes, à semelhança do que aconteceu com a greve académica em Portugal, em 69, era das universidades que partiam os ideais de revolta e inconformismo.

O Maio de 68, a celebrar agora os 40 anos, será o movimento com maiores repercussões nesta década. “É proibido proibir”, gritava-se numa época em que, em muitos países era obrigatório obedecer – diria eu. A dissociação que os jovens buscavam em relação a tudo o que era velho, era manifesta até mesmo nas parades de Nanterre: “Professeurs, vous êtes aussi vieux que votre culture” – eram as mentes envelhecidas que atrasavam a sociedade.

Também a insatisfação da mulher, abordada n’ As Novas Cartas Portuguesas, começava a fazer-se ouvir em Portugal. Enclausuradas pela sociedade, silenciadas pelas paredes que revestiam as mentalidades, bem como os lares, vêem na Código Civil de 1967, o seu papel manter-se confinado à obediência e a castidade até ao casamento mantinha-se obrigatória. Em 1961, surge o Movimento Nacional Feminino, numa época em que, lá fora Brigitte Bardot e Marilyn Monroe, expunham toda a sua sensualidade

Também por cá, a mentalidade anti-guerra exala dos jovens. É essa a grande causa, embora longe de ser a única, da contestação estudantil contra o regime.

Os anos 60 foram vividos de diferente maneira, de acordo com a sociedade vigente. Os ideais contestatários dos jovens, esses mais próximos, independentemente da sua localização, manifestavam-se consoante a liberdade que lhes era dada.

 

Referência bibliográfica:

 

BEBIANO, Rui (2003), O Poder da Imaginação: Juventude, Rebeldia e Resistência nos Anos 60, Coimbra: Angelus Novus

 





Radiohead e o vídeo que expõe a exploração infantil

1 05 2008

Chocante mas importante. É assim o vídeo da música All I Need dos Radiohead.

Porque a realidade da exploração infantil, ainda que à distância do conforto da maioria dos países ocidentais, continua a existir e não se antevê o seu fim.

 

Letra:

I’m the next act
Waiting in the wingsI’m an animal
Trapped in your hot car

I am all the days
That you choose to ignore

You are all I need
You are all I need
I’m in the middle of your picture
Lying in the reeds

I’m a moth
Who just wants to share your light

I’m just an insect
Trying to get out of the night

I only stick with you
Because there are no others

You are all I need
You’re all I need
I’m in the middle your picture
Lying in the reeds

It’s all wrong
It’s all right
It’s all wrong

 

 

Fonte: Público