O Poder da Imaginação: Juventude, Rebeldia e Resistência nos Anos 60, de Rui Bebiano

22 05 2008

Os anos 60 ficam ligados para a posteridade pela irreverência da juventude. “Despontava algo de profundamente diverso. Um universo singular que, a partir dos desenvolvimentos ocorridos nos países mais industrializados e nas suas mais directas periferias, projectava os sinais da juvenilização…” (p. 26).

No pós-guerra, dá-se um fenómeno de babyboom nos EUA. A saúde e o ensino são fortemente abalados com este fenómeno – nasceram mais crianças, entre 1948 e 1953 nos EUA do que nos trinta anos anteriores. É a geração resultante do babyboom que vive a sua juventude no período em análise.

Estes teenagers dão uma forte dinâmica à sociedade, com comportamentos manifestamente diversos das restantes gerações. As cadeias de fast-food começam a crescer, bem como o consumo de álcool e o à-vontade com a sexualidade. O Mundo industrializado recebe, em choque, uma juventude irrequieta e rebelde.

Vive-se um hedonismo, uma inflexão sobre o indivíduo sem precedentes. A juventude segue uma concepção utópica da vida e defende a força pacífica da flor contra a violência da guerra, luta contra as atitudes homofóbicas (p.40). Surgem os movimentos feministas e o blackpower, integrados num espírito de busca da igualdade de direitos.

O universo Hippie e Yippie, funciona como porta-voz de uma juventude ruidosamente inconformada. Demarcam-se da sociedade e das normas vigentes e trocam as suas posses, que consideravam sinais ilusórios de escravidão, pela vida simples, vivida em comunidade e que desprezava tudo o que fosse bem material.

É ao som de Bob Dylan e Joan Baez, dos Beatles ou dos Rolling Stones que embalam o seu quotidiano. A toxicomania, uma aceitação do modelo proposto por Timothy Leary, guru desta subcultura e autor de “The Politics of Ecstasy”, surge como “a busca de uma libertação de constragimentos”, proposta por investigador de psicologia aplicada (p.55). Depois de uma série de festivais, surge, em 1969, o Woodstock, com os seus 450.000 participantes e onde actuarem referências como Jimi Hendrix e Janis Joplin. Estes festivais, “materializaram exemplarmente esta renovada forma de recusa, colectiva e partilhada, de tudo quanto não tivesse a ver com a festa, o prazer e a imaginação de uma vida alternativa e natural” (p.56).

A vertente intelectual é, também ela marcante nesta geração. As universidades, além de instruir, aumentam a politização e dão origem a uma nova linguagem. Não raras vezes, à semelhança do que aconteceu com a greve académica em Portugal, em 69, era das universidades que partiam os ideais de revolta e inconformismo.

O Maio de 68, a celebrar agora os 40 anos, será o movimento com maiores repercussões nesta década. “É proibido proibir”, gritava-se numa época em que, em muitos países era obrigatório obedecer – diria eu. A dissociação que os jovens buscavam em relação a tudo o que era velho, era manifesta até mesmo nas parades de Nanterre: “Professeurs, vous êtes aussi vieux que votre culture” – eram as mentes envelhecidas que atrasavam a sociedade.

Também a insatisfação da mulher, abordada n’ As Novas Cartas Portuguesas, começava a fazer-se ouvir em Portugal. Enclausuradas pela sociedade, silenciadas pelas paredes que revestiam as mentalidades, bem como os lares, vêem na Código Civil de 1967, o seu papel manter-se confinado à obediência e a castidade até ao casamento mantinha-se obrigatória. Em 1961, surge o Movimento Nacional Feminino, numa época em que, lá fora Brigitte Bardot e Marilyn Monroe, expunham toda a sua sensualidade

Também por cá, a mentalidade anti-guerra exala dos jovens. É essa a grande causa, embora longe de ser a única, da contestação estudantil contra o regime.

Os anos 60 foram vividos de diferente maneira, de acordo com a sociedade vigente. Os ideais contestatários dos jovens, esses mais próximos, independentemente da sua localização, manifestavam-se consoante a liberdade que lhes era dada.

 

Referência bibliográfica:

 

BEBIANO, Rui (2003), O Poder da Imaginação: Juventude, Rebeldia e Resistência nos Anos 60, Coimbra: Angelus Novus

 


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