Horta, Ilha do Faial

4 11 2007

O barco aproxima-se do porto da Horta.
Entre as fotografias e a agitação dos mais apressados, que não conseguem gozar da serenidade que os Açores nos transmitem, a curiosidade e a vontade de chegar aumentam ao mesmo ritmo com que o sol se destapa e ilumina a ilha.
Penso nos lugares paradisíacos que já conheci, e pergunto-me em que posição vai ficar a Horta no ranking que as minhas recordações foram definindo, mesmo sabendo que não tenho o hábito de hierarquizar as minhas vivências.
Os muros baixos e desgastados, bem como o chão do porto, podiam ser iguais aos que já conheci nos Açores, não fossem os desenhos, uns mais inspirados que outros, que os privilegiados timoneiros e tripulantes foram pintando na doca.

O pôr-do-sol torna o mar num imenso espelho que reflecte os cascos dos barcos e as fotografias, mesmo que tiradas por um absoluto amador, são todas elas dignas de um postal.
Não vale a pena explorar os diferentes modos que a máquina tem para fotografar, porque a Natureza faz o trabalho sozinha, não precisa de ajuda das novas tecnologias.
As comemorações da Semana do Mar aproximam-se e o cocktail linguístico, a que Portugal já se habituou, é cada vez mais recheado.
Pela primeira vez desde que estou no arquipélago, deito-me na areia. Escura e densa, acompanha-nos até casa, teimosamente colada ao corpo e às toalhas.
O tempo tem sido a grande surpresa, e das quatro estações que se espera conhecer durante um dia nos Açores, só o Verão nos recebeu, desde que chegámos ao Faial.

O Peter Café funciona como uma espécie de Embaixada do Mundo na Horta.
O seu famoso gin tónico, sem querer fazer publicidade, é tão especial, que passei a gostar da bebida.
Os galhardetes pendurados, oferta dos visitantes, demonstram a popularidade e universalidade deste pequeno espaço, de grande dimensão na imagem da cidade.
No segundo andar, encontramos uma exposição de impressionantes desenhos em dentes de baleia. Uma enciclopédia ilustrada da história da ilha, na prática.

A Semana do Mar começou e com ela, o espírito boémio dos homens e mulheres do mar. O Clube Naval vê-se em permanente festa e esta boa disposição constante é a despedida ideal, depois de duas semanas de total encanto com o esplendor e beleza dos Açores, mesmo tendo a visita ao Faial sido pouco aprofundada.
O sossego, o verde e o azul dos Açores, são o zénite de tudo a que alguém que vive em grandes cidades está habituado.
Chego à conclusão que quem planeia uma viagem, tem que colocar os Açores no topo das prioridades.
A língua portuguesa é muito rica, mas insuficiente para descrever este arquipélago, que no feliz ano de 1427 os portugueses, comandados por Diogo de Silves tiveram a fortuna de descobrir, aqui perdido no meio do Atlântico.


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One response

21 11 2007
Henry

Gostei do que li. A sua paixão pelo mar é clara e fascinante. Obrigado desde já pelo convite que me fez para ver o seu Blog, voltarei mais vezes. Um abraço.

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