Curioso como uma opinião pode mudar tão depressa. O jornalista Davide Pinheiro escreveu, no mesmo dia, duas interpretações diametralmente opostas sobre o concerto de Jorge Palma.
Neste link podemos aceder aos textos que me refiro.
Mário Bettencourt Resendes, provedor do leitor do DN escreve no seu artigo de opinião do dia 8 de Dezembro intitulado “ À hora do fecho desta edição, o concerto estava óptimo” sobre a visão que os nossos jornais têm em relação à internet, como “inimigo a abater”, em alusão ao argumento da subdirectora do DN, Catarina Carvalho de que “em mais um caso, a Internet levou a melhor”.
“A internet levará sempre a melhor”, considera o jornalista, “no que toca à concorrência directa com a imprensa”.
Levantam-se, a propósito destas duas notícias que, nunca é demais lembrar, foram escritas pelo mesmo jornalista, no mesmo dia, duas questões:
A primeira questão é se a imprensa vai continuar a fazer sentido e, até mesmo a existir. É uma questão que tem sido levantada e que a mim não deixa grandes dúvidas. A imprensa vai continuar a existir, sim.
O público fiel ao jornal, embora decrescendo, existirá sempre, uma vez que é nos jornais que temos acesso a notícias com mais detalhe, rigor e, se escolhermos bem o jornal, com maior pertinência.
Parece-me um falso problema, embora seja inquestionável que os jornais terão que se adaptar às alterações que a internet impõe. Se olharmos para o exemplo do jornal inglês “The Guardian”, temos um caso de perfeita harmonia entre os dois meios. Os leitores do jornal em papel mantiveram-se fiéis e o jornal ganhou um novo público, que tem acesso às notícias na versão integral, de modo gratuito.
Se o grande inconveniente do jornal será apresentar notícias a que o leitor já teve acesso na internet ou na televisão, na hora exacta em que ocorreu, a vertente on-line do jornal suprime essa lacuna com as “notícias na hora”.
A solução estará nos apoios financeiros, como patrocinadores para o site, parece-me.
A bem daquele que é, para mim, o meio de comunicação mais completo e onde gostava de trabalhar, espero que o jornal se consiga adaptar às exigências de um cidadão cada vez mais consumidor de informação mas, não por isso muito mais conhecedor da realidade.
A outra questão é a da ligeireza com que as notícias são tratadas. Talvez seja pela emergência deste público consumidor de notícias na hora, as notícias são, não raras vezes apresentadas com leviandade e sem grande rigor (e que melhor exemplo que o supracitado…).
Uma explicação para este facto poderá ser extraída da entrevista concedida por Daniel Cruzeiro, jornalista da SIC a Dina Morgato, num artigo do Jornal de Notícias de 29 de Dezembro de 2007, intitulado “A investigação é o calcanhar de Aquiles do jornalismo”.
Diz Daniel Cruzeiro: “ O jornalismo está muito dependente dos assessores de imprensa e faz-se uma informação preguiçosa, que já está feita, “take away”. Há também muito jornalismo feito com fontes anónimas. Estamos a tentar inverter um bocadinho isso voltar a trazer as pessoas para a antena, ir ao terreno, recolher histórias. Faz falta o jornalismo que conte histórias, que não fale só do extraordinário, mas do ‘infra ordinário’, o que sustenta a realidade e que diz mais do nosso quotidiano.”
Resta saber se há espaço e tempo para a investigação jornalística, nos blocos noticiosos a que hoje temos acesso, com muitas notícias mas pouca informação.
Sites Consultados:
http://mediascopio.wordpress.com/2007/12/29/jornalismo-take-away/
http://dn.sapo.pt/2007/12/08/opiniao/a_hora_fecho_desta_edicao_o_concerto.html
http://www.clubedejornalistas.pt/DesktopDefault.aspx?tabid=1085
http://dn.sapo.pt/2007/11/21/artes/coliseu_encheu_para_celebrar_o_fenom.html
http://diariodigital.sapo.pt/disco_digital/news.asp?section_id=2&id_news=26960
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