África Acima, de Gonçalo Cadilhe

2 10 2007

africa-acima.jpg

Depois do sucesso das fantásticas narrativas de histórias e estórias, em Planisfério Pessoal e A Lua Pode Esperar, Gonçalo Cadilhe ofereceu-nos este sublime livro, da editora Oficina do Livro, sobre as suas ínfimas peripécias no planeta Africano, aquele que os viajantes mais experimentados consideram o mais entusiasmante e desafiante de todos os planetas.
Eu devo ter sido dos primeiros a comprá-lo, logo em Maio e, assim como o autor, também o livro fez uma larga viagem, de mão em mão.
A qualidade da escrita de Cadilhe faz-nos sentir, também nós a negociar com os guardas das fronteiras, a atravessar “estradas” em condições impensáveis em carros nas mesmas condições, a sofrer com o calor abrasador. Permite-nos, com a qualidade das descrições, imaginar o grandioso mundo que ele vai conhecendo e invejá-lo. E é essa inveja que Cadilhe não entende. A actividade que tem, tem-na porque procurou forma de arranjar meios e apoios para percorrer o Mundo e porque, claro tem este talento especial para a escrita. E viajar não tem que se ser só lazer. Não o é, seguramente da forma como ele o faz:

“É este o meu projecto: atravessar África. Prosseguir do Sul para o Norte utilizando as estradas do continente, recorrendo aos transportes públicos, aos autocarros maltratados pelos anos, aos comboios que ainda andam, pedindo boleia, viajando com as pessoas da terra – em terra onde estiver, farei como vir. Excluo o transporte aéreo, voar sobre África não é viajar por África. Aliás, voar não é viajar”.

Consegue facilmente, a partir deste excerto, imaginar-se as peripécias, as aventuras, as surpresas e os sustos que se foram sucedendo durante a viagem. Para saber mais, só mesmo lendo. Será certamente uma actividade mais rápida e cómoda do que os oito meses, quinze países, 27 000 quilómetros e 50 000 palavras depois resultaram em África Acima. Deixo uma citação de Gonçalo Cadilhe que retirei há tempos de uma das suas crónicas na revista Única do jornal Expresso:

” A solidão do viajante é a solidão do palhaço: a de reservar para si toda a tristeza que lhe vai na alma, e de entregar aos outros a máscara da alegria.”

Gonçalo Cadilhe, in Única, 6 de Abril de 2007

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6 responses

27 12 2007
joao seabra

ola eu sou ofilho do casal seabra onde encontro no Congo dolisie, parabens pela sua obra que já a li

18 05 2008
Maria Costa

Olhe, Gonçalo, já o considerei um sortudo, agora acho-o um homem de muita coragem: coragem para deixar a segurança de um emprego certo, uma vida pacata e prazeirosa; coragem para triunfar sobre os medos o que fará, certamente, todos os dias. Claro que o invejo, nem me consideraria gente se não o fizesse.
Continue a fazer o óptimo trabalho que tem feito. A sua escrita é fabulosa.

18 05 2008
Nuno Abreu

olá mariana. agradeço o comentário e espero que o Gonçalo passe aqui pelo blog para o poder ler.

15 06 2008
rosa maria sousa

Caro Gonçalo
Tive o previlégio de ler o seu livro “Africa Acima”. Encontrei-no no meio de alguns livros comprados pela minha filha, de 25 anos. Desde então, o seu livro tem andado de mão em mão (embora me ensinassem desde novita, que livros, dinheiro e mulheres, nunca se emprestam).
Não o li, devorei-o.
Estive em África, Moçambique, durante mês e meio e ainda hoje sinto o seu cheiro.

Foi atrás do seu sonho, viajar e escrever. Como você, também a minha filha foi. Uma licenciatura, a fazer um doutoramento e deixou tudo para trás…
Faz 26 anos dia 29 deste mês, está em Londres, e hoje, pelo messenger disse-me: Mãe, vai á Fnac e compra o “Planisfério Pessoal” para mo trazeres…
Tudo isto para lhe dar os parabéns, penso que nunca é tarde demais para issso, e para lhe dizer que foi uma agradável surpresa descobri-lo.

As maiores felicidades
Rosa Maria

22 06 2008
Nuno Abreu

tenho recebido vários comentários a elogiar o livro, mas com a particularidade de o elogio ser dirigido a mim.
Eu não sou o autor do livro – a qualidade da escrita do Gonçalo Cadilhe é da sua inteira responsabilidade – sou apenas mais um grande fã de Cadilhe, como todos os que deixam aqui os comentários.
cumprimentos a todos e continuem a ler os livros do Gonçalo Cadilhe, que são mesmo para devorar, como disse a Rosa Maria

12 07 2008
Maria Paula

Tenho de deixar nem que seja um abraço virtual ao Gonçalo Cadilhe, que me acompanha para todo o lado, como viajante que é, transformando-me a mim, também, numa viajante de papel, cujo maior prazer é virar a página de um livro seu, só para ver onde vamos a seguir. Sou de Coimbra e imagino muitas vezes se um dia passarei uma tarde à beira mar na Figueira da Foz a ouvir o Gonçalo falar do que ele quiser. Só ouvir. Tal como leio tudo o que ele decide escrever. Depois fecho os olhos, e vou…

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